Recorrências pompeianas da topologia da crucificação: a disforia axiológica na disposição espacial de Aristarco em O Ateneu

Adriana Meis
12 min readMar 8, 2022

Na primeira das duas aulas de Literatura Brasileira II [1] destinadas a Raul d'Avila Pompeia (1863–1895), o professor ilustrou, a partir do mesmo documento, um aspecto ideológico e outro estético do escritor.

O documento é uma charge publicada em 1881 no jornal iconoclasta O Boêmio, “semanário humorístico e literário” que durou dois meses e 12 números [2]. Parodiando a via-crúcis, a charge mostra a “agonia e morte” de um Messias da Asneira em cujo lombo se lê “Diario de Campinas” — atenção à ordem indicada no alto de cada quadro.

Anota o professor no arquivo da charge disponibilizado aos estudantes (e que aqui reproduzo): "Extraído da edição de O Ateneu preparada por Emília Amaral, para a editora Ateliê, em 1999."

Pompéia era republicano e abolicionista, escritor e ilustrador. O Diário de Campinas, além de jornal escravocrata, teria falado mal d’O Boêmio, daí a contundência da charge. Por causa das fortes reações a ela, o jovem autor teve que deixar o curso de direito do Largo São Francisco para terminá-lo em Recife.

Certamente, a cena de um jumento crucificado entre duas outras figuras — no caso desta, dois porcos — pode ser bastante chocante, mas talvez a ofensa não tenha sido ideia do escritor. Parece que os romanos, por volta do ano 200 da nossa era, já retratavam um asno crucificado como forma de ridicularizar os cristãos [3].

Na aula de literatura, logo depois de falar sobre a charge, passamos a discutir a obra mais conhecida de Pompeia, o romance O Ateneu: crônica de saudades, que apareceu primeiramente em folhetim da Gazeta de Notícias, de janeiro a março de 1888.

O Ateneu, como vocês sabem, é o colégio interno sobre o qual o narrador Sérgio nos conta no romance, e onde o personagem virá a experimentar metonimicamente a podridão da sociedade, preparando-se para ela. Quem dirige esse microcosmo de perversidade é o pedagogo Aristarco: vaidoso, arrivista, manipulador, hipócrita, sádico.

No primeiro capítulo, Sérgio fala das vezes em que visitou o Ateneu antes de lá ser internado. Suas primeiras impressões sobre Aristarco apresentam um homem que publiciza incansavelmente a si e ao seu empreendimento educacional — o que me lembrou especificamente o idealizador de um certo sistema de ensino de nossos dias — , pois o homem

“[…] enchia o império com o seu renome de pedagogo. Eram boletins de propaganda pelas províncias, conferências em diversos pontos da cidade, a pedidos, à substância, atochando a imprensa dos lugarejos, caixões, sobretudo, de livros elementares, fabricados às pressas com o ofegante e esbaforido concurso de professores prudentemente anônimos, caixões e mais caixões de volumes cartonados em Leipzig, inundando as escolas públicas de toda a parte com a sua invasão de capas azuis, róseas, amarelas, em que o nome de Aristarco, inteiro e sonoro, oferecia-se ao pasmo venerador dos esfaimados de alfabeto dos confins da pátria.” (p. 50, cap. I) [4]

Ao fim desse capítulo inaugural, quando o pai de Sérgio efetiva a matrícula em meio a adulações do pedagogo, o narrador assim consolida as impressões:

“Uma hora trovejou-lhe à boca, em sangüínea eloqüência, o gênio do anúncio. Miramo-lo na inteira expansão oral, como, por ocasião das festas, na plenitude da sua vivacidade prática. Contemplávamos (eu com aterrado espanto) distendido em grandeza épica — o homem-sanduíche da educação nacional. Lardeado entre dois monstruosos cartazes. Às costas, o seu passado incalculável de trabalhos; sobre o ventre, para a frente, o seu futuro: a reclame dos imortais projetos.” (p. 67, cap. I)

Ao ler esse trecho, o que ficou para mim foi mais sintaxe do que semântica.

Na semântica, ok: um homem que se promove de forma tão exagerada a ponto de se tornar um vulgar anúncio publicitário de rua — nem de jornal ou revista, de rua mesmo, algo quase ofensivo para a época, como mostrou Raymond Williams [5].

Na sintaxe, a estrutura tripla de uma figura central ladeada (ou lardeada, que é o ato de rechear a carne com o lardo) por duas outras: o homem-sanduíche, o homem-reclame: o recheio entre duas fatias de pão, o propagandista entre dois cartazes.

Ora, acabáramos de ver essa estrutura, essa sintaxe, na charge: o jumento ladeado/lardeado pelos porcos.

Na leitura pompeiana da crucificação, o elemento central da estrutura triádica é disfórico: o jornal que emula a figura religiosa. Imprensa e Igreja têm em comum o ato de propagar, e muitas vezes propagam o que não presta, sem que isso afete a sua credibilidade. Não é também o que podem fazer a publicidade comercial e a educação? A descrição de Aristarco como um homem-sanduíche, como figura central entre duas outras — descrição que é a síntese a que chega o narrador a respeito do pedagogo — , coloca-o na mesma posição axiológica do jumento.

No decorrer do livro, essa figura central aparecerá várias vezes ladeada por professores cúmplices na vaidade e no sadismo — os porcos que acompanham o jumento. Pouco antes da síntese descritiva, ainda no primeiro capitulo, e reforçando a alegoria sacra, um desses professores já nos oferecera uma associação tão aduladora quanto blasfema do papel do diretor:

“Acima de Aristarco — Deus! Deus tão somente; abaixo de Deus — Aristarco.” (p. 55, cap. I)

Essa relação entre a sintaxe da charge e a disposição espacial de Aristarco descrita no primeiro capítulo poderia ter sido pontual, isolada, fruto da coincidência de termos visto, na aula, uma em seguida à outra, a ilustração e a caracterização do homem-sanduíche. Porém, no decorrer da leitura, a estrutura vai-se repetindo. E, de fato, na maioria de suas presenças espaciais — quando o narrador descreve onde está Aristarco na estrutura edificada do Ateneu — , o pedagogo aparece na organização englobante: um elemento central ladeado por algo ou por alguém.

Eu anotei todas essas ocorrências. A primeira delas é ainda do capítulo inicial, antes da matrícula, quando Sérgio ainda apenas visita o colégio:

“Na ocasião em que me ia embora, estavam acendendo luzes variadas de Bengala diante da casa. O Ateneu, quarenta janelas, resplendentes do gás interior, dava-se ares de encantamento com a iluminação de fora. […] Um jacto de luz elétrica, derivado de foco invisível, feria a inscrição dourada ATHENÆUM em arco sobre as janelas centrais, no alto do prédio. A uma delas, à sacada, Aristarco mostrava-se.” (p. 62, cap. I)

Aristarco diante da fachada do Ateneu, em uma janela justamente embaixo da inscrição iluminada, que está centralizada na fachada. Duplo englobamento (só não absoluto porque as aberturas são em número par): no centro, ladeado pelos lados direito e esquerdo da fachada; enquadrado pela janela, ladeado por seus dois batentes.

E se tem algo de que o pedagogo gosta é de estar entre batentes. É de uma soleira de porta — posição protegida e de limiar — que ele relata diária e publicamente os sucessos e fracassos dos alunos, segundo anotações dos professores, sem qualquer averiguação ou “julgamento” prévios. É o momento em que se mantêm (com sorte) ou (mais comumente) se destroem reputações.

“A mais terrível das instituições do Ateneu não era a famosa justiça do arbítrio, não era ainda a cafua, asilo das trevas e do soluço, sanção das culpas enormes. Era o Livro das notas.
Todas as manhãs, infalivelmente, perante o colégio em peso, congregado para o primeiro almoço, às oito horas, o diretor aparecia a uma porta, com a solenidade tarda das aparições, e abria o memorial das partes.” (p. 114, cap. IV)

Aristarco se vangloria de não aplicar castigos físicos nos alunos, mas compensa isso na humilhação e na satisfação em manter os alunos em estado de susto. Tem o hábito de surgir de surpresa para pegar as faltas em flagrante, o que faz sem passar do limiar das portas, mantendo-se na sintaxe englobante dos batentes:

“Assim é que um simples olhar do diretor imobilizava o colégio fulminantemente, como se levasse no brilho ameaças de todo um despotismo cruento.
O diretor manobrava este talento de império com a perícia do corredor sobre o puro-sangue sensível.
A sala geral do estudo tinha inúmeras portas. Aristarco fazia aparições, de súbito, a qualquer das portas, nos momentos em que menos se podia contar com ele.” (p. 126, cap. IV)

Ainda nesse mesmo quarto capítulo — o da descrição do sistema penal do colégio — , o sadismo de Aristarco se manifesta de forma engenhosa ao conjugar humilhação com a terceirização do castigo físico que ele mesmo não pode aplicar. Proporcionalmente a essa dupla punição, o pedagogo aparece duplamente englobado: pelos batentes da porta e pelas portas que ladeiam a passagem central da qual ele está próximo e de onde informa a pena a ser cumprida pelo aluno:

“Formulado o veredicto, Franco caiu de rótulas no soalho com estampido, como se repentinamente se lhe houvesse estalado às pernas uma mola.
‘Ai não! aqui, tratante!’ gritou o diretor, indicando a porta do salão. Cantava-se a oração do meio-dia, como sabem, na casa das recreações em dia de chuva, que alargava três boas portas para o pátio central. Aristarco estava perto da do meio.
De joelhos neste ponto, Franco, ao pelourinho: diante das chufas dos maus e da alegria livre de todos.” (p. 129, cap. IV)

Aristarco, obviamente, é um covarde: agride, humilha e persegue os mais fracos, os mais vulneráveis, e os que estão atrasados na mensalidade. Quando ocorre um episódio violento no colégio, é da proteção dos batentes que ela acompanha tudo:

“Aristarco, a uma janela, bem certo da inviolabilidade pessoal, ao peitoril, desenvolvia uma energia sem limites, mandando pegar o homem da faca. Os inspetores do recreio tinham azulado. Os rapazes berravam como loucos.” (p. 154, cap. V)

Logo em seguida, um dos estudantes imobiliza o criminoso:

“De toda parte, aclamavam-no herói. À janela, de longe, Aristarco, entusiasmado, esquecia o divino aprumo e bracejava como um moinho de vento, sem conseguir dar voz à emoção.” (p. 155, cap. V)

Quando não há mais perigo, o pedagogo deixa a proteção da janela e volta a se arriscar sob o batente da porta:

“Apenas desapareceu o criminoso, o colégio inteiro assaltou a escada, desejosos de ver o assassinado À porta do refeitório, porém, Aristarco despachou: ‘não têm que ver!’” (p. 156, cap. V)

Passam-se alguns capítulos e ocorre nova afronta ao diretor. Dessa vez, atacam a viga-mestra da sua proposta pedagógica, que é a moralidade. As interações homossexuais ocorrem largamente no colégio, mas dessa vez Aristarco é confrontado com uma prova material: um bilhete.

Como de hábito, a punição é pública; a gravidade do crime, porém, faz o diretor deixar o batente e entrar no refeitório. Isso não muda a sintaxe do englobamento. Ele permanece a figura central e ladeada, a figura no entre. Nesse caso, especificamente, a referência à charge blasfema — que aparenta ser um topos privilegiado para a disforia axiológica — ganha corpo com a evocação dos apóstolos:

“Prostrados os doze rapazes perante Aristarco, na passagem alongada entre as cabeceiras das mesas, parecia aquilo um ritual desconhecido de noivado: a espera da bênção para o casal à frente.
Em vez da bênção chovia a cólera.” (p. 247, cap. VIII)

Sérgio, ao seu momento, também terá oportunidade de ser alvo de Aristarco; porém, depois do escândalo do “casal de noivos”, que poderia levar a uma debandada de alunos, e da efetiva saída de um outro matriculado, perder mais uma mensalidade paga em dia não seria bom para os negócios; nesses casos, o pedagogo não hesita em flexibilizar seus critérios de conduta. É por isso que o narrador acaba sendo convidado para jantar na casa do diretor, e ali recebe as atenções da encantadora d. Ema. De qualquer forma, Aristarco não perde a chance de mostrar alguma desaprovação quanto a Sérgio, e o faz da posição englobada, interrompendo a gentileza que a esposa dedica ao aluno:

“ — Um peraltinha! interrompeu Aristarco, entre mordaz e condescendente, de uma janela a cujo vão conversava com o Professor Crisóstomo.” (p. 264, cap. IX)

Como nos faz notar Gilberto Araújo [6], a decadência do Ateneu, que se vinha desenhando a partir da metade da obra de 12 capítulos — a cena do "noivado", uma das que sinalizam a perda de controle do pedagogo, acontece na oitava seção — , intensifica-se no capítulo X e culminará na destruição do colégio pelo fogo.

Do ponto de vista da sintaxe espacial, essa decadência é acompanhada por um Aristarco que deixa de aparecer lardeado por sólidos batentes de porta e quadros de janela. Ainda está englobado, mas não mais simetricamente ladeado.

É o que ocorre na grande festa que o colégio promove sem qualquer remorso pela recente morte de Franco, aluno levado ao suicídio devido às humilhações aplicadas e incentivadas pelo diretor. Nessa celebração,

“Ao redor de Aristarco, ajudantes-de-ordens, apressavam-se os membros de uma comissão de recepção, composta de professores de bela presença, e alunos em condições semelhantes.” (p. 299, cap. XI)

Já próximo ao final do relato, Sérgio adoece e passa várias semanas na enfermaria que fica na casa do diretor, e é amparado por d. Ema. Quando se sente melhor, vai até a janela, sempre acompanhado dela. Nesses momentos, Sérgio vê o mundo fora do colégio, numa inversão da perspectiva da sua chegada (antes de estudar no colégio, vira-o de fora para dentro), mas com a mesma sensação de novidade — que se revelará ilusória?

Agora é ele o englobado por batentes, mas voltado para o exterior, assim como esteve uma única vez Aristarco, antes de Sérgio conhecer seu verdadeiro caráter: quando, na visita, vira o diretor emoldurado pela janela da fachada do Ateneu. Exceto por essa, todas as outras aparições de Aristarco sob batentes aconteceram em passagens internas.

E, enfim, acontece o incêndio.

“Dirigi-me para o terraço de mármore do outão. Lá estava Aristarco, tresnoitado, o infeliz. […] Em redor do diretor muitos discípulos tinham ficado desde a véspera, inabaláveis e compadecidos. […] Lá estava; em roda amontoavam-se figuras torradas de geometria, aparelhos de cosmografia partidos, enormes cartas murais em tiras, queimadas, enxovalhadas, vísceras dispersas das lições de anatomia, gravuras quebradas da história santa em quadros, cronologias da história pátria, ilustrações zoológicas, preceitos morais pelo ladrilho, como ensinamentos perdidos, esferas terrestres contundidas, esferas celestes rachadas; borra, chamusco por cima de tudo: despojos negros da vida, da história, da crença tradicional, da vegetação de outro tempo, lascas de continentes calcinados, planetas exorbitados de uma astronomia morta, sóis de ouro destronados e incinerados…
Ele, como um deus caipora, triste, sobre o desastre universal de sua obra.” (p. 329–330, cap. XII)

Essa é uma das 44 cenas que Pompeia ilustrou no livro. Nela vemos esse Aristarco deposto, ainda englobado, mas agora não mais em pé, não mais ladeado, e sim rodeado pelos destroços do colégio e também de uma concepção de mundo que alguns esperavam fosse se transformar com a Abolição e com a República.

Última ilustração de O Ateneu (p. 331, cap XII). O romance foi publicado postumamente em livro em 1905 pela editora de Francisco Alves, com as ilustrações preparadas pelo autor, e que depois foram doadas pelo editor à Biblioteca Nacional. Um pouco dessa história e o link para o acervo digital das ilustrações estão no blog da Fundação Biblioteca Nacional.

A essa topologia englobante, que posiciona a figura disfórica ladeada e então dessacralizada pela vulgar associação com a crucificação cristã, o autor retorna em 1893 — se é que não antes, algo a se analisar — em uma charge intitulada “O Brasil crucificado entre dois ladrões” [7], que seriam, no caso, Portugal e Inglaterra.

Por meio da alusão profana à cena sagrada, em variantes que vão da figuração explícita até a retomada mais abstrata de sua organização estrutural, parece que Pompeia buscava dessacralizar instâncias imerecidamente alteadas, no seu entender corrompidas e indignas de reconhecimento, fossem elas a Imprensa, a Igreja, o Estado ou a Escola.

Notas

[1] Esta autora frequenta, em segunda graduação, o curso de Letras na Universidade Federal do Paraná, e assiste aulas de Literatura Brasileira II com o professor Benito Martinez Rodriguez.

[2] AMARAL, António Barreto do. Jornalismo acadêmico. Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, ano 40, n. 190, p. 9–298, jul.-dez. 1977, p. 82–83. Acesso em: 8 mar 2022.

[3] SILVA, Magali Lippert da. A biblioteca de Sérgio: representação do irrepresentável. 2013. 221 f. Tese (Doutorado) — Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Letras, Programa de Pós-Graduação em Letras, Porto Alegre, 2013, p. 60. Acesso em: 8 mar. 2022.

[4] Para as citações, estou usando a edição POMPEIA, Raul. O Ateneu: crônica de saudades. Lisboa: Glaciar; Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2015.

[5] WILLIAMS, Raymond. Publicidade: o sistema mágico. In: Cultura e materialismo. Tradução André Glaser. São Paulo: Editora Unesp, 2011. p. 231–266.

[6] ARAÚJO, Gilberto. O Ateneu: gêneses e apocalipse. In: POMPEIA, Raul. O Ateneu: crônica de saudades. Lisboa: Glaciar; Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2015. p. 9–39, p. 20.

[7] PAES, José Paulo. Sobre as ilustrações d'O Ateneu. In: POMPEIA, Raul. O Ateneu: crônica de saudades. Lisboa: Glaciar; Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2015. p. 333–354, p. 336.

Para citar este artigo: BAGGIO, Adriana Tulio. Recorrências pompeianas da topologia da crucificação: a disforia axiológica na disposição espacial de Aristarco em O Ateneu. Adriana Meis, Curitiba, 8 mar. 2022. Disponível em: https://adrianabaggio.medium.com/recorr%C3%AAncias-pompeianas-da-topologia-da-crucifica%C3%A7%C3%A3o-a-disforia-axiol%C3%B3gica-na-disposi%C3%A7%C3%A3o-espacial-72e966196694.

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